Pensamento de um português suave:Penso logo desisto...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

APENAS NASCI!...


Eu nada fiz de mal!

Apenas nasci!

Vou brincar ao faz-de-conta

Faz-de-conta que alguém

Irá ser a minha mãe

Uma Mãe que não escolhi!...


O meu país não está bem!

A razão que irá servir

Para a minha Mãe partir

E eu ficar...com alguém!


Minha pátria

Esqueceste a obrigação

De dar bem-estar à nação

Que sofre com o desemprego

Escolhendo a emigração

Sem ter por ti já apego?!...


Ficará comigo a saudade

Do meu berço de menina

Os mimam dos que me amam

E me beijam em surdina....


Minha graça é Menina

Aínda bem pequenina

P´ra entender a razão

Do valor da emigração...


Terás tu culpa Portugal?

É que eu nada fiz de mal!

Apenas nasci

E aínda não percebi

Porquê brincar ao faz-de-conta

Faz-de-conta que alguém

Irá ser a minha mãe

Uma mãe que não escolhi!...

23 comentários:

Maria Soledade disse...

Quem me acompanha há já bastante tempo sabe que este post é repetido,mas, foi um dos perdidos...

Resolvi voltar a postar de novo, para que nunca esqueçamos as crianças que ficam entregues a amas, ou familiares, enquanto a Mãe é chamada a emigrar pela necessidade de sobrevivência a que o estado caótico do país obrigou!


Todas as crianças gostam de brincar ao faz-de-conta...Faz-de-conta que sou uma fada, uma borboleta,uma joaninha...porém,nenhuma gosta de brincar ao faz-de-conta que alguém irá ser a sua Mãe...

Hoje, é para todas essas crianças o meu enorme MUUUUUAAAAHHHHHHH******

Ana Martins disse...

Minha querida amiga,
este é mais um dos teus excelentes poemas que não pode de forma alguma ficar esquecido, até porque cresce cada vez mais a realidade retratada nele.

Um beijinho amigo,
Ana Martins
Ave Sem Asas

Luís Coelho disse...

Bom dia
Li e reli este poema que me encheu de tristeza pela realidade que vivemos.
Nenhuma criança tem culpa de ter nascido nem de ter uma mãe que não escolheu.
As politicas que nos roubam a Mãe e matam o sonho e a esperança.
Já nem se pode brincar ao faz-de- conta, porque nos roubaram o pão de cada dia.

Osvaldo disse...

Soledade;

Bom,... este teu post mexeu comigo, mexeu mesmo muito comigo.
Os meus pais emigraram e eu irmãs bem pequenos, também fomos com eles.
Eu e a Ana emigramos e nossos filhos também vieram connosco.
Tdos nós tivemos a sorte de sempre estarmos juntos.

Mas..., a minha vida sempre foi no meio da emigração desde pequeno e sempre soube que por vezes é dificil para os pais, numa viagem de incertezas rumo ao desconhecido trazerem seus filhos... E caramba, caramba, talvez não conheçam a dor de uma mãe e de um pai que nos dificeis primeiros tempos de luta, depois de um dia de trabalho que por vezes nem aos animais desejariamos, mas que se sujeitam para um melhor futuro dos filhos, entram no final do dia, por vezes já noite e se refugiam no frio de um pequeno quarto para chorarem lágrimas de sangue de saudades do que mais amam neste Mundo que é o fruto que saiu do seu ventre.

Caramba, caramba... Há uma frase que me tocou profundamente e me deixou revoltado e triste mas que li com todo o respeito porque provávelmente este senhor que a escreveu nunca sentiu a dor destas separações...

"Nenhuma criança tem culpa de ter nascido nem de ter uma mãe que não escolheu...".

Caro senhor Luis Coelho, eu, filho da emigração, conhecendo todos os dramas dessas Mães, sim Mães com M muito grande, beijaria se preciso fosse, todas as pedras frias das calçadas por onde eleas passam cada manhã a caminho do trabalho que o país de origem não lhes deu e enxugaria com todo o respeito e carinho as lágrimas que molham as mesmas pedras por onde elas passam.
Benditas Mães que sacrificasteis vossa vida para que aqueles a quem destes vida não tenham que passar pelos mesmos medos, incertezas e humilhações!...
Obrigado Mães Emigrantes, a vós o meu beijo de respeito, amor e gratidão.
Caramba, Soledade... Caramba.
bjs Soledade.
da Ana e Osvaldo

Maria disse...

Sol querida
Ainda bem que repetiste. Que maravilha de poema! Que sensibilidade tão grande!
Não digo mais nada porque vou voltar a lê-lo e... voltar, voltar, voltar.
Cada vez te admiro mais e me sinto mais próxima de ti.
Algum dia nos veremos? Que importa, se os laços entre nós já são tantos.
Beijos minha Amiga, minha irmã de alma.
Maria

Maria Soledade disse...

Meu querido Amigo Osvaldo,nunca pensei que o poema o tocasse tanto mas,sim, percebi muito bem o porquê.

Este poema nasceu de uma história de vida real.Uma menina com cerca de dois ano e meio, que se viu obrigada a ficar porque a Mãe emigrou (isto à cerca de 3/4anos), para um país(Islândia)que, não oferecia quaisquer condições para acolher crianças.Como palco de vida da Mãe,apenas neve, muita neve...

Como esta menina que tão bem conheci, são centenas as crianças que não podem acompanhar os seus Pais quando estes se vêem obrigados a encontrar uma nova vida em qualquer outro país!!

Obrigada pelo seu testemunho de vida de emigrante.É importante que as pessoas compreendam e dêem valor aos sacrifícios dos que por imposição da necessidade partem de "armas" e bagagens para paragens(a maior das vezes), desconhecida...

Muito Obrigada/Muitos beijinhos para o Osvaldo e para a Aninha

Parisiense disse...

Eu nasci bem e não me sinto priviligiada por ter sido tão amada pelos meus pais...porque acho que todas as crianças deveriam ser amadas, se não pelos pais biologicos pelo menos por quem as queira amar.

Acho este teu poema fantastico, cheio de sentimento e verdade.

Beijinhos linda....muitos.

Laura disse...

Criança desamparada
longe dos braços da mãe
criança magoada
por se sentir rejeitada.

Não choreis meninos
a ausência da mãe
alma peregrina
que só quer o vosso bem.

Deixou-vos entregue
aos cuidados de outros
chora por vós
e todos os dias serão poucos.

Para lembrar o filho amado
mas a certeza que poderá com isso
ajudar ao tempo que lá vem
é um consolo na alma de alguém.

Nem todos escolheram ir embora
mas a vida aqui é tão raivosa
açambarcam uns o que dava para familias viverem de forma harmoniosa.

Enquanto não houver verdade
e o mundo não se detiver
na maldade que o arrasta
as crianças continuarão a ter
na vida a dor madrasta!...

Beijinhos querida Sol..da laura simplesmente.

Laura disse...

Osvaldo; também nós seguimos sempre o pai e tinhamos avós e tios tias maravilhosos que poderiam ficar connosco na linda aldeia dos avós, mas, não, nunca o pai nos largou nem depois de adultos, é bom lembrar a felicidade estampada nele quando nos tinha ao redor e já com os netos..pelos meus pais deixei a terra onde vivia e vim para cá, bendita a hora em que o fiz...passados nem 3 anos, faleceu e senti-me feliz por ter tomado essa opção.
Que bom que com ele viajamos pelo mundo onde tivemos uma maravilhosa escola de aprendizagem, culturas, cores e sabores..
beijinho da vossa nina laura

Pena disse...

Notável e Preciosa Poetiza Amiga de bem:
"...Aínda bem pequenina
P´ra entender a razão
Do valor da emigração...
Terás tu culpa Portugal?
É que eu nada fiz de mal!
Apenas nasci
E aínda não percebi
Porquê brincar ao faz-de-conta..."

Que poema lindo e delicioso escreveu com o seu encanto notável.
Também triste na hora da partida.
Também sofreram muitos familiares esta atitude em busca de melhor sustento que aqui não existia.
Ficou a tristeza da despedida.
É linda, Sabia, doce amiga?
Fiquei sensibilizado pelo seu sentir.
Parabéns e Bem-Haja, pela ternura deixada no meu blogue que adorei.
Escreve maravilhosamente.
Beijinhos amigos de respeito e admiração.
Sempre a considerá-la

pena

É Fantástica de perfeição.
Adorei.
MUITO OBRIGADO pela sua amizade sincera. É recíproca.

Laura disse...

Bom, venho do resteas a rir dos teus galgares de passeios... a menina aprenda a estacionar nos lugares certos e no Porto antevejo que nem devem ter muitos lugares à disposição..por isso uso o combóio para lá ir e o engraçado é que nunca vou lá sem que me desvie do caminho..Podia ir ver muita coisa, mas não, vou ter contigo e volto pelo mesmo caminho...um dia sim, um dia irei alargar os horizontes pela cidade Invicta... já fomos à Lello lembras-te? pois...

beijinho a ti e não tarda ganho asas e estou ai para desopilarmos um tico..a vida também tem de ter riso.
laura

mariabesuga disse...

Pois é querida às vezes fazemos de faz-de-conta porque é preciso manter a sanidade mental e só assim conseguimos... de faz-de-conta.

Faz-de-conta em tantas circunstâncias da vida...

É preciso não perder o norte e manter os pés assentes para sair do faz-de-conta no momento cerpo e preciso...

Beijinho grande para ti.

Obrigada pelos parabéns no post da Laurinha.
Beijinho meu

Rafael Castellar das Neves disse...

Bonito isso...ao mesmo tempo que pesado e doído, é pueril!! muito bom!

[]s

Laura disse...

Minha Sol querida
quantas vezes durante o dia me recordo de ti e lembro a amiga para quem quereria o melhor dos mundos...
Minha sol amada...sinto saudade de estarmos juntas e de falarmos das nossas coisas...Já me sinto muito melhor e daqui a pouco lá irei ter contigo, vais rir tens de rir com a treta maluca que sempre tenho para ti...Um xi de mim pa ti..laura

JE VOIS LA VIE EN VERT disse...

Querida Soledade,

O teu poema é triste mas é muito bonito.
Não vou comentar mais porque acho que o Osvaldo falou muito bem de todo o sofrimento dessas separações.
Os meus pais também emigraram com os filhos para o Congo Belga mas as condições eram boas se não fosse a fuga deixando tudo atrás em 1960.
Eu também emigrei... mas o meu caso foi diferente, emigrei por amor e os meus pais nunca fizeram nada contra a minha decisão porque gostava do Leo e adivinharam bem que ia ser a minha felicidade. Mas não há dúvida nenhuma que uma separação custa sempre muito.
Beijinhos
Verdinha

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Soledadamiga

Ainda bem que recuperaste este faz-de-conta, muito sentido e muito bonito. Eu sou mais prosa, como já viste (obrigado pela visita e pelo cumentário, com o), mas também gosto de poesia. E deste poema, em particular.

A emigração dos Portugueses continua a ser uma escapatória em busca de coisa melhor do que por cá vai havendo; ou antes, vai faltando.

Mas a imigração no nosso País também tem que se lhe diga. Quantos problemas? Muitos e diversos. Temos de ajudar quem nos escolheu - com boas intenções.

Não podemos, entretanto deixar de constatar que é graças aos imigrantes que a nossa população se vai aguentando, porque eles fazem filhos, prática cada vez mais rara e cara para nós os tugas... Obrigado imigrantes. O saldo parece-me positivo.

Qjs = queijinhos = beijinhos

Natural.Origin disse...

Sentido:)

Daniel Costa disse...

Maria da Soledade

Mães, pais, familiares não se escolhem, mas sempre se amam.
Governos é que podemos nem simpatizar, seremos sempre uns enteados a ter de aceitar pagar bem por mediocridades aflitivas, que nos tramam.
Bom criticismo poético.
Beijos

Laura disse...

Sol...por onde andas menina? tens o PC a andar ou encravou?
beijinho da laura..mortinha por te ver...

Felina Mulher disse...

Um lindo texto amiga e vale sempre relembrar...vc é um doce de pessoa, um anjo...e por falar nisso, qdo vc caiu lá do céu, doeu muito?????

Felina Mulher disse...

Minha queridaaaaa...eu te adorooo e saibas que moras em meu core.


Beijosssss.

carla disse...

Boa tarde cara Maria Soledade. O meu nome é Carla Leal Ferreira e sou jornalista. Estou a preparar um artigo e talvez me possa ajudar. Deixo o meu email e espero um contacto: carlotinhaleal@gmail.com. Muito obrigada pela atenção

carla disse...

Desculpe, o assunto é sobre a emigração. Carla Leal Ferreira